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Cinco marcas de surf que estão mudando o jogo da indústria

Bruno Aguilar
Lectura: 1 minuto

Nos últimos anos, surgiu uma nova geração de marcas de surf criadas por surfistas que decidiram se afastar do modelo corporativo tradicional.

Algumas são projetos independentes, outras nem tanto. Mas o que todas têm em comum é uma identidade própria e a busca por resgatar a essência do esporte, questionar as lógicas do mercado e se conectar diretamente com a comunidade.

Nesta nota, repassamos cinco dessas propostas que hoje ditam o ritmo do surf contemporâneo: Steko, Rivvia Projects, Florence Marine X, Former e Ritual Vision. Cada uma, a partir de sua própria visão e escala, representa uma maneira diferente de entender o surf e construir uma marca em 2025.


Ritual Vision, a marca australiana de óculos com uma estética core dos anos noventa.

Steko

Origem e contexto

A Steko é a nova marca independente criada por Kolohe Andino, apresentada publicamente no final de 2024 e concebida como a evolução natural da 2%, seu projeto anterior.

O lançamento acontece em um momento-chave de sua carreira: logo após encerrar uma relação de mais de 17 anos com a Red Bull. Trata-se da transição de atleta patrocinado para criador de marca.

A decisão reflete a sua vontade de se distanciar do ambiente corporativo e retornar aos valores mais core do surf: autenticidade, criação de cultura e comunidade.

Filosofia e estilo

A Steko se define por um espírito rebelde e deliberadamente provocador. Nas palavras do gerente de vendas da marca, Chris Wagaman:

"Não somos contra a indústria, só estamos dizendo: 'Vamos contra a corrente, vamos incomodar um pouco os dedões grandes'. E vamos nos divertir muito fazendo isso. Pense na Volcom em 91."

Com essa abordagem, a Steko busca recuperar um ar underground, uma identidade fora dos moldes corporativos tradicionais do surf.

Produtos e estética

Em sua primeira linha, a Steko lançou roupas com estética baggy / vintage / alternativa: bermudas d'água (boardshorts) longas, camisetas largas e bermudas de até 24 polegadas.

O design inclui detalhes como camuflados, estampas de caveira e efeitos faux denim (falso jeans), evocando uma vibe de rua, rebelde e contracultural — bem longe da estética limpa ou mainstream típica do surf tradicional.

Lançamento e estratégia de mercado

Durante 2025, a Steko deu seus primeiros passos formais no mercado: sua primeira coleção já foi enviada para um grupo selecionado de surf shops nos Estados Unidos.

A ideia comercial não é saturar o mercado, mas sim se posicionar como uma marca "de culto": segundo Wagaman, eles buscam replicar um modelo semelhante ao da Stüssy ou da Obey — que exige que os consumidores a "procurem", em vez de vê-la em todos os lugares.

Rivvia Projects

Origem e contexto

A Rivvia Projects foi lançada em 2022 por Julian Wilson. O surfista australiano decidiu deixar para trás o patrocínio corporativo tradicional — após um conflito com seu antigo patrocinador — e criou a Rivvia como uma aposta pessoal em uma marca mais autêntica, ligada ao seu estilo de vida.

A marca acompanha a tendência de surfistas profissionais que criam suas próprias marcas, assumindo o controle de sua imagem e integrando o surf com a cultura urbana, múltiplos esportes e lifestyle, ampliando o conceito tradicional de "marca de surf".

Filosofia e proposta

A Rivvia se define como uma marca de lifestyle ativo: seu lema, "Active Discovery", busca inspirar uma vida guiada pelo lazer, pelo movimento e pela exploração. Ela combina o surf com uma abordagem casual, que vai desde a estética urbana até coleções em parceria com marcas de golfe, esporte que Wilson também pratica.
No fim das contas, o que a Rivvia Projects oferece são peças versáteis, confortáveis e pensadas para um estilo de vida dinâmico, não apenas para surfar.

Modelo de negócio e relação com atletas

A Rivvia não atua como um patrocinador tradicional: por exemplo, o surfista Ryan Callinan não apenas veste a marca, mas também se tornou coproprietário. Essa abordagem de "sociedade + participação real" marca uma mudança em relação aos contratos convencionais de patrocínio.


Julian Wilson vestindo a coleção que mistura surf e golfe.

Atualidade e comunidade

Em 2025, a marca contratou o jovem surfista brasileiro Mateus Herdy que, poucos dias após assinar o contrato, conquistou uma final no US Open, exibindo a marca em um palco de alto nível.

A Rivvia mantém a essência definida por Wilson: uma marca pessoal, flexível, "multiesportiva", que busca se conectar com quem vive o surf como estilo de vida, e não apenas como esporte.

Recentemente, lançaram a coleção “Uncommon Projects”. Com uma estética baggy e vintage, ela se dirige ao público jovem com o lema: "LED BY THE NEXT GEN : DESIGNED FOR THE NEXT GEN" (Guiado pela próxima geração: desenhado para a próxima geração).


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Former

Origem e contexto

A Former foi criada pelos surfistas Dane Reynolds e Craig Anderson, junto com o skatista Austyn Gillette e o falecido Dylan Rieder.

Depois de muitos anos surfando e andando de skate para marcas multinacionais, eles decidiram criar a própria marca pela qual queriam correr e as roupas que queriam usar.

A marca nasceu como uma reação à tradição: um projeto independente desenhado para romper com as normas corporativas, a previsibilidade da indústria e os moldes habituais das roupas de surf e skate.


Dane Reynolds, Austyn Gillette e Craig Anderson.

Filosofia e proposta

A Former se define como uma marca "rider owned & operated" (de propriedade e operada por atletas), focada em quem busca desafiar tudo. Combina surf, skate e cultura urbana, refletindo a visão criativa e pessoal de seus fundadores.

A identidade da marca se centra na individualidade, no estilo e na autenticidade, afastando-se do marketing de massa e dos esquemas tradicionais da indústria.

Produtos e estética

A linha inclui roupas e acessórios inspirados no surf e no skate, com cortes modernos, detalhes gráficos e um estilo urbano que combina o descontraído com a criatividade artística de seus fundadores. Cada peça busca ser funcional, mas com personalidade, representando a filosofia de independência e rebeldia da marca.

O que traz para o surf moderno

A Former exemplifica a tendência de atletas que assumem o controle criativo e criam suas próprias marcas. Sua proposta desafia a indústria estabelecida, oferecendo roupas de qualidade com identidade forte e que não são produzidas em massa.

Além disso, propõem-se a ser uma ponte direta entre a cultura do surf e do skate, sem depender de corporações ou estruturas tradicionais.

Ritual Vision

Origem e contexto

A Ritual Vision é uma marca australiana de óculos de sol criada por surfistas: cofundada por três pesos-pesados do freesurfing — Harry Bryant, Noa Deane e Mikey Wright —, com Dion Agius no papel de diretor criativo.

Desde a sua origem, a marca se apresenta como uma alternativa ao modelo corporativo tradicional: seu objetivo é oferecer óculos de alta qualidade, reciclados e a um preço acessível, em contraste com muitas marcas premium de óculos de sol.

Eles são voltados para o mercado do surf e o público jovem. Não tem como foco margens de lucro gigantescas, mas sim a cultura e a comunidade.

Filosofia e proposta

A Ritual Vision se inspira na cultura do surf dos anos noventa, os "anos dourados", celebrando a individualidade e uma estética livre. A marca define sua identidade como contracultural, influenciada por surfistas core e pela juventude que vive o surf com espírito independente.

Produtos e materiais

Os óculos da Ritual são fabricados com policarbonato reciclado moldado por injeção, o que, segundo Dion Agius, oferece armações mais robustas, resistentes ao calor e duráveis, em comparação com as armações de acetato tradicionais que podem se deformar com a exposição ao sol.

Essa abordagem permite manter um preço competitivo sem sacrificar a qualidade nem a funcionalidade, tornando a Ritual Vision atraente tanto para surfistas veteranos quanto para os jovens groms.


O australiano Mikey Wright usando óculos com muito estilo dos anos 90.

Team Riders

A Ritual Vision conta com uma equipe diversa de surfistas e criativos, liderada pelos cofundadores Harry Bryant, Noa Deane e Mikey Wright, com Dion Agius como diretor criativo.

A eles se somam surfistas de renome que reforçam a identidade core da marca: Mason Ho, Milla Coco Brown, Hughie Vaughan, Parker Coffin, Holly Wawn, Rolando “Rolo” Montes e Benny Howard.

Esse grupo não traz apenas visibilidade, mas credibilidade: todos são surfistas ativos que representam a verdadeira cultura do surf e participam dos testes de produtos, garantindo que os óculos sejam funcionais e reflitam a filosofia da marca.

Evolução recente e estratégia

Desde o seu lançamento, a marca tem tido uma forte demanda: segundo a Stab Magazine, no primeiro trimestre eles esgotaram todo o estoque disponível, mesmo após reposições, o que reflete uma recepção muito positiva do seu público-alvo.

Além das roupas e dos óculos (eyewear), a Ritual Vision aposta na produção audiovisual: a marca já está trabalhando em seu primeiro filme, com a intenção de reviver a cultura dos longas-metragens de surf.

Com esta foto, eles compartilharam o prêmio de “marca disruptiva do ano” concedido pela revista Stab.

Florence Marine X

Origem e contexto

A Florence Marine X não poderia faltar nesta lista. Embora sua escala e alcance sejam maiores do que os de marcas boutique como as anteriores, ela também tem sido uma marca disruptiva na indústria do surf.

A marca foi fundada em 2020 por John John Florence, em colaboração com a família Hurley / Kandui Holdings. Sua criação ocorreu após o fim da parceria de John John com seu antigo patrocinador, com a intenção de desenvolver roupas e equipamentos testados no North Shore de Oahu.

Filosofia e proposta

A Florence Marine X se define como uma marca de equipamentos modernos e utilitários para todas as condições. Nas palavras de John John, eles buscam “fazer coisas que nos motivem a sair e prosperar nos elementos da natureza, enquanto fazemos o nosso melhor para proteger o oceano e a terra”.

A linha inclui boardshorts, roupas de borracha (wetsuits), lycras (rashguards) e vestuário em geral. Tudo desenhado com um critério utilitário e de alto rendimento.

Modelo de desenvolvimento e testes

A produção está estreitamente ligada ao próprio John John e à sua equipe. Cada produto passa por testes rigorosos dentro do programa Test Pilots, que inclui surfistas, remadores, pescadores, mergulhadores e skatistas, entre outras disciplinas aquáticas e de outdoor, garantindo que funcionem em condições reais.

Além disso, a marca incorporou os irmãos Ivan e Nathan Florence, mantendo o projeto próximo ao círculo original e reforçando sua identidade.


John John e Nathan Florence.

Pesquisa e Desenvolvimento (R&D)

Adicionalmente, a Florence mantém um programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Research & Development), pensado para dar transparência ao processo de design. Nele, a marca compartilha novos conceitos em desenvolvimento e explica como e por que os produtos são feitos.

Entre os avanços recentes, incluem-se materiais como o Airtex (maior respirabilidade e conforto) e o Cordura (durabilidade e resistência). Atualmente, a marca está desenvolvendo o Alpha Direct Hoodie, um casaco de moletom com capuz feito de material térmico ultraleve.