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Cinco marcas de surf para lembrar da velha guarda

Bruno Aguilar
Lectura: 5 minutos

Longe de serem apenas empresas que fabricam roupas ou acessórios, as marcas de surf foram pilares na construção da cultura surf. Com seus logos icônicos, campanhas irreverentes e equipes de riders lendários, essas marcas definiram tendências e levaram o espírito do surf além do oceano. Nesta matéria, revisitamos algumas das marcas clássicas mais lembradas, aquelas que estavam nas revistas, nas lojas e na ponta das pranchas dos melhores surfistas do mundo, mas que hoje já não vivem seu auge.

marcas de surf
Tom Curren exibindo o logo da Ocean Pacific na década de 80.

Ocean Pacific (OP)

A Ocean Pacific foi fundada nos anos 60 como marca de pranchas e passou por diversos donos. Mas foi em 1972 que Jim Henks assumiu a marca californiana e começou a criar roupas voltadas para o estilo de vida surfista. Foi uma das primeiras marcas a transformar o surf em moda, levando a estética praiana para as ruas.

Durante os anos 70 e 80, a OP atingiu seu auge de popularidade. Além disso, foi pioneira em patrocinar eventos e surfistas profissionais, movimento que marcou o início do marketing esportivo na indústria do surf. Entre os riders que exibiram o logo da OP na ponta de suas pranchas estão Shaun Tomson, Mark Richards e Tom Curren, todos campeões mundiais que ajudaram a prestigiar a marca.

Com o tempo, a Ocean Pacific perdeu protagonismo. Hoje, o que resta daquela marca icônica é apenas um vestígio de sua época de ouro: está voltada para moda acessível e suas peças são encontradas em grandes redes de supermercados, longe daquele espírito surfista que a tornou lendária.


Um anúncio clássico da Ocean Pacific. O shaper Bill Stewart se pinta usando a técnica de airbrush durante seu trabalho na OP.


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Hang Ten: a origem do surfwear

Fundada em 1960 por Duke Boyd e Doris Moore na Califórnia, a Hang Ten foi uma das primeiras marcas a vincular moda casual ao surf, criando o conceito de "surfwear".

Seu icônico logo com duas pegadas de pés se tornou símbolo do estilo de vida praiano, e a marca rapidamente se expandiu internacionalmente, levando a vibe da West Coast ao mercado global.

Hoje, a Hang Ten segue ativa, mantendo sua essência clássica e de qualidade. Embora já não tenha a mesma presença massiva de seu auge, continua reconhecida e valorizada por quem busca um estilo clássico ligado ao surf e à nostalgia de suas primeiras décadas.


Hang Ten: um clássico da Califórnia.

Gotcha

Fundada em 1978 em Laguna Beach, Califórnia, por Michael Tomson e Joel Cooper, a Gotcha tornou-se uma das marcas mais influentes na cultura surf dos anos 80 e início dos 90.

Com campanhas irreverentes e estilo desafiador, destacou-se com mensagens provocadoras como “If you don’t surf, don’t start. If you surf, never stop”. Gotcha promovia uma atitude rebelde, alinhada ao espírito hardcore do surf da época.

A marca foi crucial na profissionalização do surf competitivo, patrocinando grandes nomes como Martin Potter, Mark Occhilupo e Rob Machado, consolidando-se como símbolo de performance e estilo. Seu design audacioso e colorido marcou tendência dentro e fora da água, contribuindo para a explosão do surf como movimento cultural.

Com o tempo, a Gotcha perdeu força diante de marcas emergentes e mudanças de mercado. Apesar de tentativas de ressurgimento, hoje está longe do protagonismo de seu auge, permanecendo como ícone nostálgico para fãs do surf clássico.

More Core Division (MCD)

A More Core Division, conhecida como MCD, nasceu no final dos anos 80 como uma linha mais radical dentro da Gotcha. Seu objetivo era conectar-se com a cena underground do surf e com uma estética mais escura, afastada dos tons neon que dominavam a moda surf da época.

Rapidamente tornou-se uma marca com identidade própria, atraindo surfistas que buscavam se diferenciar do mainstream.

Nos anos 90, MCD foi sinônimo de rebeldia e performance, com designs minimalistas, tons apagados e espírito que misturava surf, skate e punk. A marca ganhou notoriedade patrocinando riders icônicos como Andy Irons, que exibiu o logo da MCD nos primeiros anos como profissional.

Com a chegada dos anos 2000 e a transformação do mercado, a MCD perdeu relevância frente às grandes corporações do surf e da moda comercial. Hoje a marca segue ativa, mas apenas no mercado brasileiro.


Andy Irons exibindo o logo da MCD no bico de sua prancha.

Maui and Sons

A Maui and Sons nasceu em 1981 na Califórnia, fundada por Gary Prested, Dennis Yokoyama e Rick Rietveld, três amigos do colégio.

Inicialmente pensaram em criar uma empresa de biscoitos de chocolate inspirada na avó de Yokoyama, que vivia em Maui, e Rick desenhou o icônico logo do círculo negro com formas geométricas representando as “chips”.

Finalmente, decidiram focar em roupas, considerando que exigiria menos investimento e seria mais fácil de administrar. Com apenas $3500, um logo e a ideia de alguns shorts xadrez, começaram sua aventura no mundo do surf.

A marca tornou-se famosa por sua estética colorida, o icônico logo do “cookie shark” e seu estilo que misturava surf e skate, tornando-se referência nos anos 80 e 90.

Hoje, embora já não tenha a mesma relevância na cena internacional, mantém presença forte em países como Chile e Peru.


Anúncio da Maui and Sons nos anos 80.