O que esperar desse swell que poderá produzir algumas das maiores ondas do ano no Rio de Janeiro?
Nos últimos dias, acompanhamos o desenvolvimento de uma grande pista de ventos apontados em nossa direção, atuando sobre a superfície do Oceano Atlântico, na borda oeste de um sistema de baixa pressão atmosférica (~963 mb), cujo centro está a uma distância superior a 3.000 km ao sul do Rio na manhã deste domingo (03/05/26). Associado a isso, veremos ondas grandes no litoral carioca no início da semana.

Mapa da grande pista de ventos atuando sobre a superfície do Atlântico Sul, responsável pela geração do mega swell que irá atingir o RJ entre segunda e terça-feira (imagem: Windy).
Segunda-feira
Para segunda-feira, dia 04, o modelo de ondas wave watch iii indica que o swell terá um pico de energia com 2.400 kj por volta de 09:00 h em um ponto ao largo do litoral carioca. As estimativas do modelo indicam uma altura significativa em torno de 2.8 m, com período de pico próximo a 13 s, e direção de pico em torno de 190 graus (direção sul).
Terça-feira
Já na terça-feira, dia 05, a modelagem indica um pico por volta de 07:00h, com 3.000 kj. Além da variação da energia do swell principal, com o aumento do período de pico condicionando o aumento da energia, a modelagem indica também uma leve mudança na direção de pico, com o swell virando um pouco mais para sul (185 graus).
A tabela a seguir apresenta os parâmetros do swell durante esses dois picos de energia e a figura mostra uma ilustração das direções principais de propagação desses swells sobre um mapa do litoral carioca (fonte: Google-Earth).


Ilustração das direções do swell sobre mapa do litoral carioca (fonte: Google-Earth).
O que esperar desse swell? Aonde poderemos encontrar as maiores ondas e as condições mais amigáveis?
Para ajudar a responder a esta pergunta, fizemos a propagação deste swell desde águas mais profundas até o litoral carioca, utilizando um modelo de ondas de águas rasas, que faz parte do SisBaHiA® - Sistema Base de Hidrodinâmica Ambiental.
O SisBaHiA® encontra-se continuamente sendo ampliado e aperfeiçoado na COPPE/UFRJ desde 1987, através de várias teses de mestrado e doutorado, além de projetos de pesquisa.
Maiores detalhes sobre o SisBaHiA® podem ser obtidos diretamente no website.
Os resultados desta nova modelagem são apresentados nas figuras a seguir.

Resultado do modelo de propagação de ondas regulares de águas rasas (SisBaHiA) para o swell previsto para o dia 04/05/2026, às 09:00 h.

Resultado do modelo de propagação de ondas regulares de águas rasas (SisBaHiA) para o swell previsto para o dia 05/05/2026, às 07:00 h.
Os resultados mostram alguns pontos de convergência de energia espalhados pela orla, especialmente na zona oeste da cidade, com destaque para o canto direito de Grumari, que apresenta as maiores ondas em ambos os dias.
Pelas estimativas, por lá poderemos ter séries em torno de 4,5 metros de altura na “escala científica”, que, conforme já falamos em artigos anteriores, é bem diferente da “escala surfística”.
Nesta última, podemos falar em ondas com pouco mais de “3 metros”, ou três vezes a altura da cabeça, com rainhas chegando a “3,5 m”. Já nos demais picos da região, os modelos indicam ondas em torno de “2 a 3 metros” na escala do surfista.
Os modelos também mostram claramente os pontos onde há maior divergência de energia, para os quais as ilhas ao largo oferecem maior proteção a estas ondas vindas de sul. Estes estão no início da praia de Copacabana (posto 6), Arpoador, início de Ipanema (P8), início da Barra, e no canto esquerdo de Grumari.
Cabe ressaltar que o modelo utilizado é um modelo de ondas regulares, com parâmetros de onda unidimensionais ao largo, o que tende a potencializar as zonas de convergência e de divergência de energia.
Se formos considerar a propagação de um espectro de energia real, irregular, podemos esperar encontrar um pouco mais de energia nas zonas protegidas, e um pouco menos nas zonas mais expostas.
Aonde surfar as maiores ondas?
Em ambos os dias, as previsões meteorológicas indicam boas condições, especialmente na parte da manhã, com ventos fracos em torno de NNE, que é terral nas praias voltadas para sul, mais expostas ao swell. Assim, a escolha do pico recai unicamente sobre a análise do swell.
Na segunda-feira, dia 04, com o swell um pouco mais inclinado a sul-sudoeste (190 graus), os cantos direitos que seguram ondas grandes, como o canto direito de Grumari (destaque) e o Pontão do Leblon, podem ser algumas das melhores opções de surfe da cidade.
Olhando para os municípios vizinhos, podemos destacar a Praia de Itacoatiara (Niterói), Barrinha (Saquarema), e o Pesqueiro, na Praia Grande (Arraial do Cabo). A laje do Sheraton também é sempre uma opção para os big-riders em dias de ondas grandes de sul, ainda que a modelagem costeira não indique que lá será um ponto de convergência de energia para este swell.
Outras lajes, mais distantes da praia, também podem ser uma boa opção para aqueles mais bem preparados (e com uma equipe de apoio).
Já na terça-feira, dia 05, o swell deve entrar mais de frente, tanto por conta da mudança de direção de pico (185 graus), como pelo aumento do período de pico, que faz com que as ondas sofram maior refração durante o seu caminho até atingir a costa, se alinhando melhor às isóbatas locais. Com isso, as maiores séries devem fechar mais em todos os picos.
Ainda assim, as dicas são as mesmas do dia anterior, com adição do baixio de Copacabana, que pode quebrar eventualmente durante a maré baixa matinal.
Falando nisso, vale observar a maré, que varia bastante nesses dias. A baixa-mar será por volta de 10 horas da manhã, bem baixa (0.2-0.3 m), enquanto a alta será por volta de 16:30 h.
Aonde surfar ondas mais amigáveis?
Alguns picos estarão com uma proteção parcial a este swell, mas, ainda apresentarão uma energia considerável, como, por exemplo, Arpoador, Postinho (Barra da Tijuca), Canto do Recreio, e canto esquerdo de Grumari.
Estes picos devem apresentar uma condição mais surfável do que os picos mais expostos. Porém, atenção às correntes, especialmente nos cantos esquerdos.
Outros picos estarão mais protegidos, e poderão oferecer um surf para os surfistas mais iniciantes, como, por exemplo, o Posto 6 de Copacabana, e alguns picos dentro da Baía de Guanabara. Na terça-feira, com o swell de período mais longo, as ondas terão maior capacidade de contornar obstáculos e entrar nas praias menos expostas.
Vale ressaltar que as principais características desse mega swell, como tamanho e momento de auge, ainda podem mudar nas próximas atualizações dos modelos, fique ligado!
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Boas ondas!