Compartir

Piscinas de Ondas: Tecnologia, Inovação e o Futuro do Surf

Bruno Aguilar
Lectura: 4 minutos

Historicamente, o surf foi um esporte reservado para aqueles que têm acesso ao mar, mas as piscinas de ondas estão mudando esse paradigma. Essas instalações evoluíram enormemente desde seu surgimento na primeira metade do século XX. Inicialmente eram piscinas com ondulações para a diversão dos banhistas, até se transformarem em complexos tecnológicos que reproduzem ondas perfeitas e controladas. Atualmente, vemos cada vez mais piscinas de ondas sendo construídas ao redor do mundo. Um negócio que demonstrou ser altamente demandado e rentável, incluindo projetos imobiliários, resorts, praças de alimentação e lojas.

piscinas de olas
Kelly Slater surfando uma onda perfeita na piscina do Surf Ranch.

Diferentes tecnologias

Existem várias empresas que desenvolveram tecnologias para a criação de piscinas de ondas. Por exemplo, Wavegarden foi reconhecida como líder de mercado, com 8 piscinas em funcionamento, mais de 12 em construção e 70 projetos em desenvolvimento ao redor do mundo.


Piscina de ondas com tecnologia Wavegarden em Garopaba, Brasil.

Em 2015, Kelly Slater surpreendeu o mundo com o lançamento do Surf Ranch, localizado em Lemoore, Califórnia. Essa onda se destaca pelo longo percurso dos tubos, e até mesmo já hospedou uma etapa do tour mundial da World Surf League. Recentemente, a empresa Kelly Slater Wave Co abriu uma nova sede em Abu Dhabi, Emirados Árabes.

Perfect Swell é outra tecnologia de destaque mundial. Possui cinco sedes localizadas no Brasil, Estados Unidos e Japão. A mais conhecida delas é a de Waco, Texas.

Outra piscina de ondas que impactou o mundo do surf foi a do Surf Lakes. Talvez pela estética tão peculiar, onde as ondas são geradas por uma espécie de bóia gigante. Ainda não está aberta ao público, mas espera-se que a sede em Yeppoon, Austrália, abra as portas em 2025.

Por fim, destacamos o projeto que está sendo desenvolvido na Argentina. La Ola Group criou uma tecnologia própria e anunciou sua primeira sede em Luján.


Equipe por trás da tecnologia de ondas artificiais da Argentina.

O impacto no surf competitivo

As piscinas de ondas no surf competitivo têm sido objeto de debate nos últimos tempos, especialmente nos últimos Jogos Olímpicos. Em um artigo anterior, já exploramos como o surf fez sua estreia olímpica e o que isso significou para o esporte mundial. Os surfistas brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo, ambos campeões mundiais, defenderam o uso de piscinas de ondas para os Jogos de Los Angeles 2028. "Eu amo o mar e não acho que nada supere a natureza! Mas, no que diz respeito aos Jogos Olímpicos, acho que seria a forma mais justa! Todos teriam oportunidades suficientes de dar o melhor de si!" comentou Toledo em um post no site Aosmidia.


Filipe Toledo competindo no Surf Ranch.

Por outro lado, o australiano Jack Robinson, que venceu Medina na semifinal e foi medalhista de prata, se declarou contra as piscinas nos Jogos Olímpicos. "Se um país anfitrião tem ondas, que as use. Para mim, entender o oceano é uma parte importante do surf competitivo. É uma grande habilidade que deixa de ser desafiada em uma piscina de ondas", disse Robinson.

Lembre-se que na Califórnia está o Surf Ranch de Kelly Slater, que também se pronunciou a favor do uso de piscinas nos Jogos Olímpicos.


Jack Robinson nos Jogos Olímpicos Paris 2024.

Conclusão

As piscinas de ondas chegaram para redefinir o cenário do surf, não só permitindo que pessoas de todo o mundo acessem esse esporte sem a necessidade de um oceano, mas também transformando o treinamento e a competição em nível profissional. Essas instalações se consolidaram como uma ferramenta-chave no crescimento do surf, oferecendo condições perfeitas e controladas que favorecem a inovação técnica. Embora a discussão sobre o seu lugar no surf competitivo ainda esteja em aberto, o que é inegável é que as piscinas de ondas já fazem parte do futuro do surf, oferecendo a possibilidade de desfrutar de ondas ideais em qualquer lugar do mundo.