Compartir

Patagonia: a marca outdoor que pertence ao planeta

Bruno Aguilar
Lectura: 3 minutos

Dos seus inícios no litoral da Califórnia até se tornar um ícone do ativismo ambiental, a Patagonia conseguiu algo que poucas marcas podem dizer: crescer sem perder sua essência. Com produtos feitos para durar e um compromisso radical com o meio ambiente, a empresa fundada por Yvon Chouinard representa muito mais do que uma marca de roupas.


Yvon Chouinard, fundador da Patagonia.

Uma história que nasce na montanha

Tudo começou nos anos 50, quando um jovem escalador chamado Yvon Chouinard começou a fabricar seus próprios pitões de aço para escalar em Yosemite. Assim nasceu a Chouinard Equipment, que com o tempo se tornaria uma das principais marcas de equipamentos de escalada dos Estados Unidos.

Em 1973, Chouinard decidiu dar um passo além e fundou a Patagonia Inc., inspirando-se na região austral do continente sul-americano. O nome evocava aventura, montanhas, natureza em estado puro. Desde o início, o objetivo era claro: criar roupas técnicas de alta qualidade sem deixar de cuidar do planeta.

Líderes em sustentabilidade (antes de virar moda)

Muito antes de se falar em moda sustentável, a Patagonia já estava abrindo caminho. Em 1996, foi a primeira marca a mudar todo seu algodão para orgânico, depois de descobrir o impacto ambiental do cultivo convencional.

Também inovaram ao usar poliéster reciclado em jaquetas e ao criar o programa Worn Wear, que promove a reparação e reutilização de peças usadas.

Além disso, desde 1985 doam 1% das vendas para causas ambientais através do programa 1% for the Planet, que Chouinard cofundou junto a Craig Mathews. Até hoje, já destinaram dezenas de milhões de dólares a centenas de organizações.


1% For The Planet.

Mas em 2022 deram um passo ainda maior: Yvon Chouinard transferiu a propriedade da Patagonia para um fundo e uma ONG criada especialmente, com o objetivo de que todos os lucros não reinvestidos na empresa fossem destinados à luta contra a mudança climática. Sua mensagem foi clara: “A Terra é agora a nossa única acionista.”


A foto que acompanhou a mensagem do fundador da Patagonia.

Muito mais do que roupas: uma postura

A Patagonia é uma das poucas marcas que ousou dizer a seus clientes para não comprarem seus produtos. Em 2011, durante a Black Friday, publicaram no New York Times um anúncio com o título “Don’t Buy This Jacket”, convidando a repensar o consumo e apostar na durabilidade.

Também chegaram a processar o governo dos Estados Unidos por decisões que ameaçavam parques nacionais e não hesitaram em apoiar candidatos políticos com posturas ecológicas. Em suas etiquetas, informam quanta água e energia foram usadas na produção de cada peça.


No meio da Black Friday, a Patagonia incentivou o consumo consciente com este anúncio.

Um modelo de negócio radical

A Patagonia mostra que é possível ter uma empresa lucrativa sem deixar de lado os valores. Em vez de focar apenas no crescimento, priorizam o impacto positivo. Reparam mais de 100 mil peças por ano, incentivam o ativismo ambiental e não têm medo de falar sobre problemas que muitas marcas preferem ignorar.

Uma marca com legado

Em tempos em que a sustentabilidade muitas vezes é usada apenas como estratégia de marketing, a Patagonia é um exemplo de coerência. Sua história, suas ações e sua visão mostram que outra forma de fazer negócios é possível. Uma que não apenas vista aqueles que amam a natureza, mas que também a defenda.