Nacho Gundesen começou com tudo a temporada 2025/2026 do Qualifying Series da World Surf League. Na primeira etapa, em Saquarema, não teve um bom desempenho na competição principal, mas venceu a expression session com um aéreo nos segundos finais antes do término. Depois veio a segunda etapa, em Maresias, onde conquistou um quinto lugar fundamental para começar o ano bem posicionado.
Nosso atleta conta como viveu o início dessa nova temporada, onde reencontrou a motivação para voltar a lutar por uma vaga no Challenger Series, com tubos e bons resultados.

Nacho no campeonato de Maresias.
Como foi a preparação para o início desta temporada?
Eu vinha de ter perdido meu lugar no Challenger Series na temporada passada. Ainda não tinha me recuperado emocionalmente e não estava muito motivado. Isso ficou claro em Saquarema, onde perdi na primeira fase.
Estava um pouco desanimado com o resultado, mas quem se levanta primeiro é quem conquista. Durante esse campeonato em Saquarema ainda tinha muitas dúvidas — os resultados não ajudavam e há um desgaste físico, mental e financeiro muito grande.
O surfe em si é um esporte de muitos altos e baixos, é difícil ir bem o tempo todo. Então, no momento em que aceitei isso, segui em frente e me propus a competir novamente este ano.
Como foi o processo para reencontrar a motivação?
Entre Saquarema e Maresias, fui me reafirmando, ficando mais tranquilo e confiante na decisão que havia tomado. Isso se refletiu no campeonato em Maresias, e continuo com muita vontade. Foi um sacode necessário para entender o que eu realmente queria. E o que quero é tentar de novo e entrar no Challenger.
Ter vencido a expression session em Saquarema me levantou o astral. Além disso, tiveram ondas muito boas nas duas etapas, então deu para aproveitar bastante. Mesmo tendo perdido na primeira, continuei surfando boas ondas todos os dias, e isso me deu confiança.

Saindo da água com a satisfação de ter feito o trabalho.
Você venceu a expression session no último suspiro. Conta pra gente como foi.
Faltando um minuto e meio, peguei uma onda e caí. Não sabia se ainda tinha tempo para pegar outra, mas sentia que podia vir mais uma. Por via das dúvidas, voltei com tudo pro fundo e acabei encontrando uma onda faltando cinco segundos. Nem fui até o fundo — peguei ela pela metade. Fiz o drop e deu para mandar um aéreo.
Esse formato era de 30 minutos e ganhava quem fizesse a melhor manobra. Foquei nos aéreos porque as condições estavam boas pra isso. Éramos uns quinze surfistas na água, mas me afastei um pouco mais para a direita e estava praticamente sozinho. Tinha visto ondas melhores naquele setor.

O aéreo no último segundo para vencer a expression session.
O que você pode contar sobre a segunda etapa em Maresias?
Estava treinando com o Martín Passeri durante as duas etapas. A gente estava focando em melhorar alguns detalhes das manobras, deixando de focar tanto na competição e mais no meu surfe.
Durante o campeonato teve ondas muito boas. No primeiro heat, que foi o mais difícil, consegui virar uma situação em que estava perdendo e consegui um 7.80 faltando cinco minutos. Depois disso, fluiu de uma maneira mais natural. Foi muito legal.
Tiveram uns tubos incríveis, e a verdade é que o tubo é o que eu mais gosto no surfe — mais do que ganhar campeonatos, mais do que tudo. Foi muito bom e me deixou muito animado.

Nacho Gundesen encontrou tubos como esse em Maresias.
E agora, o que vem pela frente?
Agora vou pra Argentina, vou ficar lá uma semana. Depois, minha próxima competição é no dia 21 de maio, em Natal, no norte do Brasil. É um QS 4.000. Os dois campeonatos que acabei de disputar eram 6.000, então precisava ir bem em pelo menos um deles pra começar bem o ano.
Esses dois eventos que passaram são os únicos de 6.000 pontos no ano, então são muito importantes, pois são os que mais somam. Foi ótimo ter conseguido um quinto lugar para garantir um bom resultado. Agora, o resto dos campeonatos será de 4.000 pontos.