Após o anúncio sobre a incorporação de Luiz Guilherme Aguiar à equipe de Lineup como Chief Forecasting Officer e Forecaster no Brasil, realizamos uma entrevista para nos dar e dar a você o prazer de conhecê-lo um pouco mais pessoal e profissionalmente.

Luiz Guilherme Aguiar lança Pipeline em 2005
Como você descobriu sua paixão pela previsão do tempo e dos oceanos?
Desde que começaram a aparecer nos sites de surf os primeiros gráficos de previsão de onda fornecidos pela NOAA, acho que no final dos anos 90, comecei a me interessar em estudar as previsões. A minha paixão pelas previsões está diretamente atrelada à minha paixão pelo surf, na medida em que descobri que as previsões poderiam me ajudar a surfar as melhores ondas.
Como o seu conhecimento do clima influencia sua habilidade de surf?
Não diria que influencia a minha habilidade sobre a prancha, mas, com certeza influencia na minha leitura do mar, o posicionamento do line-up, e a escolha das ondas.
Você usa previsões meteorológicas para planejar suas sessões de surf?
100%. Na real, praticamente toda a minha vida é planejada em função das previsões de onda e de tempo. Estou sempre tentando deixar os mares especiais livres de outros compromissos... rs. Acho que esta é uma das principais missões dos forecasters: ajudar as pessoas a se planejarem de tal forma a serem capazes de estarem dentro d’água nas melhores horas de surf.
Você tem alguma anedota em que sua previsão do tempo tenha sido importante?
Faço muitas previsões para campeonatos de surfe no Rio de Janeiro, especialmente na Praia do Arpoador, e algumas foram especialmente importantes. Um dos campeonatos que sou responsável pela chamada é o “Arpoador Clássico”, que idealmente só deve acontecer em condições clássicas de surf. Uma das chamadas mais difíceis foi para a edição de 2010. Lembro que não era uma previsão muito clara, tive de fazer algumas contas... rs. Até o fim da noite anterior ao evento não havia onda nenhuma no Arpoador. Todos foram dormir acreditando que “agora o Guilherme errou a previsão”. Mas, no dia seguinte o mar amanheceu com altas ondas, e eu salvei a minha reputação! Foi tenso! Vale ressaltar que, por mais que eu já tenha acumulado grande bagagem e horas de estudo em previsões de onda, nem sempre consigo dormir tranquilo... Já tive alguns pesadelos em que chego à praia e as ondas não estão lá! No fim das contas, a palavra final é sempre de Netuno!
Quais aspectos meteorológicos você considera mais críticos para os surfistas?
Difícil destacar um ou outro, porque é a combinação de fatores que vai determinar as condições de surfe. Mas, basicamente, o que mais importa são os parâmetros principais do swell (altura, direção e período das ondas) e o vento (direção e intensidade). Mas, você não pode ignorar a maré, que em alguns picos faz muita diferença, e a forma do fundo, que em praias arenosas pode ser determinante.

Luiz Guilherme Aguiar surfando em Pipeline em 2007
Que dicas básicas sobre o clima você daria aos surfistas para melhorar sua compreensão e segurança na água?
Sempre estar de olho nas previsões de onda e vento, de diferentes sites, para não ser pego de surpresa, e sempre estar comparando a sua previsão com a sua observação na praia, a fim de melhorar o seu entendimento sobre os gráficos e mapas de onda e vento.
Se tivesse que escolher uma, qual seria a sua sessão de surf mais memorável em termos de condições meteorológicas? Por que foi tão especial?
Difícil escolher uma sessão dentro de tantas... Tive muitas sessões memoráveis em casa, no Arpoador, onde surfo com mais frequência. Mas, uma que me marcou muito pela perfeição, foi em Maldivas, na onda de Lohis. Nesse dia o mar amanheceu com ondas grandes para os padrões locais, com 8 pés sólidos, mas, o vento não era o ideal, e a correnteza no line-up era fortíssima. Tentei surfar e quase fui arrastado para a ilha vizinha... rs. Só consegui surfar 1 onda depois de remar por muito tempo. Mais ninguém entrou na água. Saí do mar exausto e fui descansar. Olhando a previsão, achei que as condições poderiam melhorar à tarde e voltei para olhar... O vento havia parado, assim como a corrente, e o mar ficou clássico, sem ninguém na água. Foi uma das melhores sessões de surf da minha vida, com todos os fatores alinhados.
O que te motiva todos os dias a dar boas previsões?
Estou sempre motivado a aprimorar as minhas previsões porque sou um usuário direto delas, tanto para planejar as minhas sessões de surfe, como para planejar os eventos que realizo. Segundo porque estou cercado por surfistas de todos os lados... Minha esposa e meus melhores amigos e amigas são surfistas, e muitos estão de olhos nas minhas previsões. Não posso errar, senão sou cobrado imediatamente... rs. Sempre que estou fazendo uma previsão, imagino que quem irá ler será um surfista que, assim como eu, precisa conciliar os seus compromissos pessoais e profissionais com o surf, otimizando o tempo para estar no lugar certo, na hora certa. E isso para mim tem muito valor!

Luiz Guilherme Aguiar em sessão na Pipeline em 2005
Como você encara esse novo desafio profissional na Lineup?
Primeiro me sinto honrado pela confiança que me foi depositada pelo Fabian e por toda a equipe do Lineup. Será uma responsabilidade enorme conduzir as previsões do Lineup, um site com uma meta ambiciosa de ser o maior da América do Sul em termos de previsões de onda e de câmeras nos picos de surfe. Segundo, encaro com um projeto enorme, com inúmeras possibilidades de melhorias. Não será fácil, pois o desafio é grande. Mas, sinto que temos uma equipe altamente capaz para superarmos as expectativas.
Qual será o foco das suas previsões na Lineup?
Oferecer uma informação diferenciada, de forma clara e objetiva, e também transmitir um pouco de conhecimento sobre a leitura das previsões de onda e sobre a mecânica das ondas, para que os assinantes possam aprimorar as suas próprias previsões.
Um sonho realizado e outro a ser realizado...
Um sonho realizado eu diria que foi casar e constituir uma família linda! Meus filhos hoje são a minha maior fonte de inspiração para a vida. Um sonho a ser realizado é o projeto do arrecife artificial móvel que estou há muitos anos batalhando para implantar no Brasil, e que está próximo de acontecer na cidade de Maricá, no Estado do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro recebe ondulações incríveis durante todo o ano, mas, a maioria é desperdiçada por conta dos bancos de areia mal formados. Bancadas artificiais poderiam transformar o Rio numa meca do surfe mundial.

Luiz Guilherme Aguiar correndo pela esquerda em Kandui em 2011
Conclusão
Da Lineup estamos muito felizes com a incorporação de Luiz Guilherme Aguiar! Também agradecemos suas previsões diárias, que nos dão a possibilidade de otimizar nossas sessões em 100%.