Nosso atleta Nacho Gundesen deixou novamente sua marca em uma das ondas mais pesadas do Brasil. O surfista argentino se consagrou bicampeão do Itacoatiara Pro, um prestigiado campeonato realizado na praia homônima de Niterói, Rio de Janeiro. E fez isso, coincidentemente, no mesmo dia em que comemorava seu 26º aniversário.

“A verdade é que eu já estava feliz antes mesmo de competir. Só de estar ali, surfando boas ondas com meus amigos, já me sentia incrível. Me abri para que a vida me presenteasse com algo — e ela fez isso.”
Itacoatiara é uma onda muito exigente. O que você acha que ela tem de especial?
É uma onda com muita força. Causa medo, e muitos a consideram a mais pesada do Brasil. Tem surfistas que precisam de várias sessões para se adaptar, mas eu senti que me adaptei de primeira. Curti desde o primeiro dia, e sinto que valoriza muito o meu estilo de surfe. Além disso, a praia é linda.
Ela quebra bem perto da areia, então dá para ouvir e ver tudo de dentro d’água. É uma praia pequena, e as ondas se cruzam com o rebote das montanhas dos dois lados, formando triângulos que dobram o tamanho da onda.
Leva um caldo forte, e como o fundo é raso, muitas vezes você é jogado direto na areia. O destaque são os tubos, e quando entra swell, fica realmente pesado.

Itacoatiara durante o evento. Foto: @tonydandreafotografia
Como foi voltar este ano carregando o título?
Foi tudo muito especial. No ano passado, ganhei no mesmo dia em que surfei lá pela primeira vez. E este ano, o evento caiu justamente no meu aniversário. O pessoal local falava: “Você tem que vir defender o título!” E eu já estava feliz antes mesmo da competição começar.
Só de estar ali, surfando com meus amigos, já estava incrível. Me abri para que a vida me presenteasse com algo — e ela fez isso.
Como você viveu o campeonato?
Tudo foi acontecendo naturalmente. Fui passando baterias contra surfistas muito bons. Alguns não tinham tanta experiência em campeonatos, mas sim em ondas grandes. Por exemplo, na final, competi contra o Lucas Chumbo, que é um monstro. Um dos melhores surfistas de ondas grandes do mundo. A final foi bastante disputada.
Que equipamento você usou para encarar esse tipo de onda?
Usei uma prancha um pouco maior que o normal. Geralmente uso 5'7” ou 5'8”, mas dessa vez entrei com uma 5'10”, com rabeta round e reforçada com duas camadas de fibra. Uma prancha feita para tubos e ondas grandes. O engraçado é que eu ia entrar com outra prancha, e dois minutos antes da bateria mudar, resolvi trocar. Escolhi essa, e foi essa decisão que me fez passar a bateria. Depois disso, me senti totalmente confiante com a prancha, o que é muito importante.
Nas redes sociais vimos que você pegou um tubaço. Conta como foi isso.
Eu já estava indo bem na bateria, com notas regulares, e os outros ainda não tinham pego ondas boas. O vento estava variando entre terral e maral, e justamente virou para terral quando eu tinha a prioridade. Veio uma onda que dava pra ver que ia ser um tubão. Peguei, ela abriu, quase me derrubou no final, mas foi incrível.
Naquele momento percebi que o mar estava me presenteando. E todos os meus amigos gritavam da praia. Foi muito especial.

Nacho pegou o tubo do dia.
Em que momento competitivo você está? Como encarou esse campeonato?
Muito mais relaxado. No QS entro mais focado, mais profissional. Esse campeonato foi bom para manter o ritmo, porque agora as competições voltam.
Encarei como uma preparação para o próximo QS 4000 em Prainha, também no Rio. É uma onda parecida, forte, com bastante backwash, complicada. Então foi um bom aquecimento.
A próxima parada de Nacho será o Circuito Banco do Brasil de Surfe em Imbituba, uma etapa do Qualifying Series com 4.000 pontos. Por aqui, seguimos na torcida por ele como sempre — e você também pode acompanhar sua performance nas próximas datas do WSL QS 2025/2026.