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Dicas para interpretar uma previsão de ondas

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Lectura: 5 minutos

Há vinte anos, surfar ondas na Argentina era questão de sorte, paciência e intuição. Hoje, centenas de surfistas consultam os modelos de previsão de ondas antes de decidir se vão a Playa Grande, Chapadmalal ou Necochea. A cultura do surfe cresceu, mas também cresceu o conhecimento sobre o mar. Essa mudança ocorreu com o crescimento das escolas de surfe e o aumento de surfistas ativos, com o impulso dado pelos atletas argentinos em competições internacionais, com o acesso à informação em tempo real por meio de apps, câmeras e redes sociais, e pelo fato de que o surfe deixou de ser algo de verão para se tornar um estilo de vida presente durante todo o ano.

Com todo esse avanço, também mudou a forma de ler o mar e de planejar uma sessão. Se você quer melhorar seu critério e entender realmente o que está vendo ao abrir uma previsão, continue lendo.

Da era da intuição ao dado

Os surfistas das décadas de 70 a 90 e dos primeiros anos dos anos 2000 precisavam interpretar ventos, marés e observar continuamente o estado do mar; olhavam para o horizonte e imaginavam como as ondas viriam no dia seguinte.

Hoje, apenas conferindo apps e câmeras antes de ir à praia, podemos ter uma boa ideia de como estarão as condições, podendo prever a chegada de swells com vários dias de antecedência. Isso foi um grande avanço, principalmente para surfistas que moram a quilômetros da praia.

Dicas para interpretar previsões

Para saber interpretar os dados básicos encontrados em um app, é fundamental conhecer a orientação da costa da sua região e como os ventos entram nas praias.

Tipos de ventos para a localidade de Mar del Plata:

  • Offshore (terra), Oeste.
  • Onshore (maral), Este.
  • Cross-offshore (cruzados da terra para o mar), NO/NNO/SO/SSO.
  • Cross-onshore (cruzados do mar para a terra), NE/NNE/SE/SSE.
  • Cross wind (laterais), Norte e Sul.

Formas de medir a intensidade do vento

Para interpretar uma previsão de ondas, o vento é um dos fatores mais importantes. Sua direção e intensidade podem transformar um swell perfeito em um mar desordenado impossível de surfar.

Existem diferentes unidades e escalas usadas em meteorologia e navegação. Embora pareçam técnicas no início, conhecê-las ajuda a ler qualquer relatório com muito mais clareza.

Unidades mais comuns:

Km/h – classificação geral:

Calma: 0 a 1 km/h

Ventinho: 2 a 5 km/h

Brisa muito leve: 6 a 11 km/h

Brisa leve: 12 a 19 km/h

Brisa moderada: 20 a 28 km/h

Brisa fresca: 29 a 38 km/h

Brisa forte: 39 a 49 km/h

Vento forte: 50 a 61 km/h

Tempestade: 62 a 74 km/h

Tempestade forte: 75 a 88 km/h

Tempestade muito forte: 89 a 102 km/h

Furacão: mais de 118 km/h

Nós e escala de Beaufort (BFT):

O nó é uma unidade de velocidade náutica, 1 nó = 1,852 km/h.

A escala de Beaufort é uma ferramenta clássica usada em meteorologia e navegação para estimar a força do vento pelos efeitos visíveis no mar e na terra. Vai de 0 a 12: 0 representa calma total e 12 um furacão ou vento extremamente forte. Cada nível indica a velocidade do vento em km/h ou nós e seus efeitos observáveis.

Exemplos práticos para surfistas:

Dia ideal para surfar: Beaufort 2–3, vento quase não mexe na superfície.

Vento offshore Beaufort 3–4: modela bem as ondas; acima de 5 pode dificultar o take off.

Vento onshore Beaufort 4 ou mais: estraga o mar, deixa picado ou “batido”.

Beaufort 6 ou mais: perigoso para banhistas, praias geralmente fechadas.

Mph

Milhas por hora, 1 milha = 1,609 km

M/S

Metros por segundo, unidade padrão para medir velocidade do vento, indica a distância percorrida pelo ar em 1 segundo.

1 M/S = 3,6 km/h

1 M/S = 1,94 nós

Rajadas

Aumentos repentinos de curta duração da velocidade do vento, causados pela interação do ar com o terreno, montanhas ou tempestades.

Duração curta: geralmente menos de 20 segundos

Frequência: podem ocorrer durante vento constante, mas com picos de velocidade mais altos

Exemplo: vento constante de 60 km/h pode ter rajadas de 100–110 km/h

Direção das ondas

É essencial conhecer a orientação da praia que frequenta. Uma praia orientada para o Leste, como Puerto Cardiel em Mar del Plata, recebe swell dessa direção diretamente, e ventos offshore criam condições ideais.

Em apps como Lineup, setas indicam a direção do vento, ex.: ⬅️ E ↘️ NE ⬆️ S ↖️ SE ↗️ SO. Também podem aparecer como DEG°, indicando direção da quebra da onda.

Períodos

Tempo entre duas cristas sucessivas passando pelo mesmo ponto, medido em segundos:

  • Muito curto: 3–6 s, gera mar desorganizado, ondas contínuas e fracas

  • Curto: 7–9 s, ondas pequenas e desordenadas, vento local

  • Moderado/Longo: 10–15 segundos, chegam em séries mais agrupadas e com maior espaço entre as cristas, ondas maiores, potentes e organizadas, provenientes de tempestades distantes que vão acumulando mais energia e volume à medida que chegam à costa.

Os períodos longos se associam ao mar de fundo (swell) e os períodos curtos ao mar de vento (wind swell), gerados pelos ventos locais.

Energia (Kj)

Indica potência e força do swell que vai chegar à costa.

Marés

Movimento periódico de subida (preia-mar) e descida (baixa-mar) causado pela atração gravitacional da Lua e do Sol.

Preia-mar: água cobre mais o fundo, ondas maiores, menos buraco, ideal em fundos rochosos

Baixa-mar: fundo mais exposto, ondas mais rápidas e tubulares, podem fechar mais em fundos inclinados

Recomenda-se conhecer o spot em cada estado da maré.

Surfar com informação é surfar melhor

Saber interpretar:

✅ ventos
✅ direção do swell
✅ período
✅ energia
✅ marés

Permite decidir se vale a pena madrugar ou fazer um passeio de fim de semana, além de conferir câmeras ao vivo, já parte do ritual do surfista argentino.