Entre os dias 06 e 09 de janeiro (segunda a quinta-feira), o litoral carioca será atingido por uma sequência de ondulações de Sul, que devem oferecer ondas divertidas para os surfistas da região. Este swell começou a ser gerado no último sábado (04), por uma pista de ventos (SSO) formada na borda oeste de um sistema de baixa pressão atmosférica (994mb) posicionado sobre o Atlântico Sul, ao largo do litoral norte argentino, como mostra a carta sinótica da Marinha do Brasil (figura 1). Depois, esse sistema começou a se mover para leste, com a pista de ventos (S) ainda atuando sobre a superfície do mar, gerando mais ondas em direção ao Rio.

Figura 1. Carta sinótica do Brasil no dia 04/01/25 (Fonte: Marinha do Brasil).
Como resultado, teremos uma nova ondulação chegando ao litoral carioca nesta segunda-feira (06), com direção de pico (mais energética) no quadrante Sul-sudoeste (SSO), virando gradativamente para Sul (S) no decorrer da semana.
Trata-se de uma ondulação com altura ao largo em torno de 1 metro (na escala científica), e período curto, próximo a 10s.
Para mostrar com que altura estas ondulações chegarão nas praias do Rio, impactadas pelo relevo marinho (batimetria) e demais feições costeiras, como ilhas e costões, fizemos algumas simulações com o modelo de propagação de ondas do programa SisBaHiA, da COPPE, UFRJ.
Cabe ressalvar que estas simulações foram feitas com ondas regulares, usadas para representar um estado de mar de modo simplificado, não levando em conta a realidade de um espectro de energia das ondas, bem como o efeito de outros fatores que interferem na propagação das ondas, como as correntes de maré e de plataforma.
Dessa forma, para cada um dos quatro dias simulados, definiu-se uma altura, uma direção, um período de onda e um nível de maré (NM) para entrada na fronteira ao largo do modelo. Estes parâmetros foram obtidos a partir de valores extraídos de mapas e tabelas de previsão de diferentes modelos em um ponto ao largo das Ilhas Cagarras, tomando como base o swell principal, e ignorando o swell secundário (o que é razoável nesse caso, pois o swell secundário será pouco importante nesta semana). Na tabela a seguir são apresentados os parâmetros de entrada no modelo para cada dia simulado.

Tabela 1. Parâmetros de entrada no modelo de ondas para cada dia simulado.
RESULTADOS
Os resultados da modelagem são apresentados na forma de mapas de distribuição da altura da onda, lembrando que o modelo de ondas apresenta os seus resultados na escala científica de alturas de onda, na qual a altura da onda é igual à distância vertical entre a base e a crista da face da onda. Isso é bem diferente da escala usual dos surfistas.
Por exemplo, nos locais aonde a altura da onda nesses mapas for igual a 1 metro, isso significa, na escala dos surfistas, algo em torno de 0,6 metro (multiplica a altura do mapa por 60%), ou “meio-metrão”. Dois metros no mapa equivalem a aproximadamente 1,2 metros na escala dos surfistas, ou “1 metrão”. E assim por diante.


Figura 2. Mapas de alturas de onda no dia 06/01 (segunda-feira) gerados através da simulação de propagação de ondas regulares na costa do Rio de Janeiro com programa SisBaHiA (COPPE/UFRJ). No alto: Orla carioca (de Guaratiba a Copacabana). Embaixo: Zoom na zona oeste.

Figura 3. Mapas de alturas de onda no dia 07/01 (terça-feira) na orla carioca (de Guaratiba a Copacabana) gerados através da simulação de propagação de ondas regulares na costa do Rio de Janeiro com programa SisBaHiA (COPPE/UFRJ).

Figura 4. Mapas de alturas de onda no dia 08/01 (quarta-feira) na orla carioca (de Guaratiba a Copacabana) gerados através da simulação de propagação de ondas regulares na costa do Rio de Janeiro com programa SisBaHiA (COPPE/UFRJ).



Figura 5. Mapas de alturas de onda no dia 09/01 (quinta-feira) gerados através da simulação de propagação de ondas regulares na costa do Rio de Janeiro com programa SisBaHiA (COPPE/UFRJ). No alto: Orla carioca (de Guaratiba a Copacabana). No meio: Zoom na zona oeste. Embaixo: Zoom na zona sul.
Como dito anteriormente, estes resultados devem ser levados com ressalvas, dadas as limitações do modelo de ondas regulares, que não leva em conta processos não-lineares importantes na propagação de ondas em águas costeiras, e também devido a possíveis erros nos parâmetros da onda de entrada, obtidos através das previsões de onda disponíveis, que já carregam erros desde a sua geração.
Além disso, cabe observar que a qualidade do surf não depende só do tamanho das ondas, de maneira que devemos encarar essas modelagens apenas como uma indicação dos picos onde devemos encontrar ondas maiores, mas, não necessariamente, melhores. A qualidade do surf vai depender do tamanho das ondas, e também da interação destas com o fundo do mar, o vento, e a maré.
De todo modo, é interessante observar nestas modelagens como os pontos focais variam em função dos parâmetros da onda ao largo.
Veja nas previsões especializadas do Lineup Link uma análise diária do swell, com recomendações dos melhores picos para surfar.
Boas ondas!